segunda-feira, 28 de junho de 2010

regresso a casa

Foto de MJQ


HÁ UM Caminho
tempo chamado
Que Não e Pará
Ser percorrido
Mas Ser n.
venerado .

HÁ UM poema
chamado amor
Que Não e Pará
Ser dito
Mas Ser n.
degustado .

HÁ Uma casa
Chamada Língua
Que Não e Pará
Ser Falada
Mas Ser n.
habitada .

e Há o horizonte
Que
ESTÁ
semper
Além .............

sábado, 19 de junho de 2010

In Memoriam (os meus mortos)



entrei na livraria
e o mundo ficou ainda mais pequenino,
tão pequeninas as gentes
que habitam fatalmente este
país pequenino.
tão pequeninas as palavras que
usamos. e inúteis. põem-se em bicos
de pés para atingirem metáforas
muito originais e catrapum no chão,
banalíssimas desde Camões
ou António Ferreira.
procuro os meus mortos
nas estantes de madeira
carcomida e estão corroídinhos
de invejas prosaicas,
daquelas muito atávicas
que nem o mar consegue
invadir. os livros estão encadernados
de fulanos, as manchas gráficas são
prefácios lambusentos,
o preço de capa
esconde-se atrás do código de barras
e a editora chancelou um qualquer
lobbie maçónico.
hoje, eu entrei numa livraria
e sentei-me num banco
para chorar descansadamente.


Explicação desnecessária: Não se trata de uma homenagem envergonhada a José Saramago, que aprecio há muitos anos e que tendo morrido em paz consigo, me merece o silêncio de reconhecimento.

domingo, 13 de junho de 2010

alteração climática




Sede e uma ramifica -se
Pela Página branca, como desabituadas Mãos
de esculpir o Corpo PERFIL DE UM .
Entre vacilo regar OS vasos
Também podem Que Morrer
e arrumar uma escrivaninha
Até Que uma chuva
volte um fustigar -me
Olhos OS.
Talvez
Amanhã -

domingo, 6 de junho de 2010

elogio da tranquila idade


Não se Fosse uma tranquilidade
secular do verde ,
estrondosos ruíam
OS alicerces de qualquer amor .


São OS Estranhos círculos
Que Não vislumbram
uma quadratura .

uma poesia Perfeita
Está no Sossego
da morte .


terça-feira, 1 de junho de 2010

JanelaLivro - 4

Desirée Dolron


Só me resta voltar à JanelaLivro , esgotados Que São OS Sonhos de Uma Vida sibilina .
Uma Janela Margens Tem que Não, Nem capa e Contracapa . Texto sem palimpsesto . Lágrima sem dor . Livro sem horizonte . Uma imagem Que não se estampa no verso -do Meu Corpo e um de Uma Eva nascer POR, Completamente nua , enquanto sobe como Escadas e declama versos soltos da literatura universal, Tentando seduzir - me com Rumores Líquidos Como se eu Fosse Ainda Deste Mundo.
Mas dinamitei o Diálogo . A imagem do Outro para la da Minha Pele. Como Vozes Que podiam salvar -me . Caminho desnorteada Por esse Cabo do Mundo e duvido metodicamente da Minha Existência com uma convicção MESMA Tem que como ondas AO desfazerem -se na Areia .
Criatura abortada , contemporânea do olhar Último de Ulisses, transpiro Secura Por poros Todos os, sorrio de Longe AO Adamastor e Mergulho deserto Nunca nenhum sem saber o Que É o NEVOEIRO .
Desassossego : Nome e verbo .
Criadora de estatuetas de terracota, com como Quem Escondidas brinco , ilumino como SUAS VIDAS Selvagens com Gritos , sem qualquer sombra de Pecado Chinês . Desconheço se Virei um sabre O destino de Antígona PORQUE desesperei de Assistir AO FIM da tragédia , incomodada com o Vizinho do lado , defensor acérrimo da comédia de costumes .
Rio : nome e verbo .
Encosto -me à Janela e olho Através do Livro : Ninguém mora Não faça lado de lá . Apenas os Mortos troçam da Minha USAR insistência em palavras como . E Apontam -me uma saida .

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