quarta-feira, 12 de maio de 2010

espécie de arte poética



é demorado por vezes
tortuoso o leito sintáctico
que percorre o poema
desde a foz
até à fonte mais rochosa
onde a palavra é sílaba
pouco mais que
fonema gemido
em êxtase intransitivo.




quando enfim
atinge o mais alto
cume da montanha
explode em labaredas
vertiginosas e
chora mar.

3 comentários:

Isabel disse...

espécie de arte maior de roer o osso das palavas até ao rugido de uma fome enorme!

sim.

Letícia Ziebell disse...

lindo!

maria manuel disse...

difícil o caminho da palavra no poema, onde por fim "chora mar", concretização de uma memória iniciada na "foz".

belo, Ângela.

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