domingo, 22 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

arte poética


consultei
dicionários e enciclopédias
gramáticas
tradicionais e generativas
passando pelas de texto
vasculhei
o google e a wikipédia
para poder escrever
à margem de qualquer
originalidade
a minha arte poética
defectiva:

escrevo porque morro.

sábado, 14 de agosto de 2010

natureza viva


provavelmente
o pintor esqueceu-se
da tela e dos pincéis e das tintas

provavelmente 
o mar afugentou
a memória e as gaivotas e as velas

provavelmente
a câmara digital
foi vendida por um naco de pão

seguramente
estas palavras
estão rasuradas 
de tanta inutilidade.

domingo, 8 de agosto de 2010

de mãos dadas com Pessanha



Quando pouso os pés no chão
dói-me o tarso, o metatarso 
(o metatexto também)
e as falanges todinhas, sinto os ossos
e os músculos longos e curtos
como se fossem agulhas
de aço, gelo doloroso.
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos.
Não é o chão que me dói,
são os pés.

Amanhã  vou a uma grande superfície
Pedir ajuda a Hermes e levo comigo
Pessanha. Talvez eu consiga
Caminhar um pouco mais.

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