quarta-feira, 29 de abril de 2009

uma homenagem em vida

ou o meu percurso pela obra de Agustina Bessa-Luís

Ouvi eu, com estes ouvidos que o fogo há-de consumir, João Botelho dizer numa entrevista à RTP1, a propósito do seu filme “A Corte do Norte”, que não sabia que havia em Portugal uma escritora deste calibre.
Quanto a Eduardo Lourenço, na revista LER, de Janeiro de 2009, diz “Infelizmente a escrita constantemente paradoxal e surpreendente de Agustina ainda não encontrou, pela sua dificuldade, o eco que merece. Mas pode esperar.”
E a mim, resta-me, para já, fazer aqui o percurso que fiz desta autora cujo conhecimento me permite repetir e sublinhar a opinião de Eduardo Lourenço. Quando falo de um autor, só o faço com o conhecimento da sua obra completa ou, pelo menos, de mais de metade dela. Claro que não conheço ainda, infelizmente a obra completa de Agustina, mas confesso ser esse um dos meus objectivos de vida.
Contrariamente, talvez, à maioria das pessoas, não comecei pela Sibila, porque era ainda muito novata para lhe meter o dente, mas pelo primeiro livro que ela publicou, totalmente escrito depois do 25 de Abril: “A Crónica do Cruzado do OSB”. Verdezita ainda assim, apreciei a prosa, deixei-me envolver pelo paradoxo, senti que tinha qualquer coisa de muito especial nas mãos. Por isso fui então ler obras anteriores, entre as quais “A Sibila”, “Os Contos Impopulares”, “Os Indomáveis” e outros. Até que, as circunstâncias históricas me fizeram confundir alhos com bugalhos (o que acontece a muito boa gente) e decidi parar a leitura, zangada com o reaccionarismo provocador que não se inibiu de esconder. Precalços naturais no processo de amadurecimento do ser humano, penso eu.
A fechar o intervalo esteve também um facto histórico inesperado. Apesar da minha postura política à esquerda, a morte/assassinato do primeiro ministro Francisco Sá-Carneiro fez-me remexer as entranhas, pois apreciava o seu comportamento também rebelde e íntegro, com uma frontalidade que sempre foi rara nesta terra. E assim quando Agustina publicou “Os Meninos de Ouro” eu fiz as pazes e voltei a lê-la. Daí em diante só fazia paragens que tinham a ver com o desejo de mudança de registo, mas voltava sempre 2 ou 3 romances passados, com saudades daquele mundo tão particular. Até que, a partir da “Jóia de Família” passei a ler tudo à medida que ia saindo. Foram ainda sete, até “Às Metamorfoses”, último projecto realizado em conjunto com Graça de Morais que o ilustrou e que é uma história onde revivem e coexistem algumas das várias personagens femininas de toda a obra de Agustina.
Foi lançado a público em Dezembro de 2007, já sem a presença da autora, por doença e de então até agora o vazio que sinto só consigo preenchê-lo com a releitura sempre prazeirosa de livros conhecidos e a leitura daqueles que me faltam para conseguir o tal objectivo da obra completa.
Não é a mesma coisa, claro. Porque houve inevitavelmente uma evolução e os últimos romances encadeavam-se de tal modo uns nos outros, que a própria narradora afirmou no final de “A Quinta Essência”: “Quem quiser saber o que se segue, não tem senão que remeter-se às explicações da próxima narração.” – citando de Cão Xuequin no final de cada capítulo d’ O Sonho no Pavilhão Vermelho.
Resta-me ficar mergulhada no mundo desta Grande Senhora contadora de histórias e artesã da palavra. É infindável.
OBRIGADA, Agustina.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

quem eu releio sempre

Agustina Bessa-Luís

Já antes do 25 de Abril, com Portugal isolado do resto do mundo, pesado pela sua incapacidade governativa que se exprimia pela acomodação a um falso destino, não havia nenhuma solenidade nos acontecimentos, nos chefes, na nação inteira. Tudo se produzia como se as pessoas não soubessem desesperar. Agora continuava esse mesmo estado de espírito, tão próprio dos portugueses e que tão bons e tão maus frutos dá.






Agustina Bessa -Luís, Crónica do Cruzado do OSB, Guimarães Ed., 1976




sábado, 25 de abril de 2009

DES/OBEDIÊNCIA

Rui Oliveira, Contagiarte, madrugada de 25 de Abril de 2009, Porto

logo que as luzes se acenderam
começou o espectáculo da água
ondulante ao ritmo das palavras
que se deslizavam brancas
pela folha negra.
Num palco de silêncio
cadeiras vazias
alcatifas coçadas
de sapatos de tacão e fivela.
É que desta vez
eram palavras sagradas
que inibiam o público
a ponto de ficarem os bilhetes por vender
e tudo se passava na intimidade de uma flor
aberta a boiar em chama
e uma gotícula de água,
ínfima, levemente pousada na pétala.
A cegueira espalhou-se na sala
tal a violência da maldição
que assolava as mentes desoladas.
Ao fundo do corredor
havia um bouquet de caveiras e foices
misturadas com bandeiras
largadas na fuga
do orgasmo colectivo.
Tudo não tinha passado de uma
história de encantar
embalagem reles para o sonho
de uns quantos
actores
que acreditavam no efeito das máscaras
viradas contra os
pacientes.
Foi tudo um equívoco
de marginais absurdos
que passeavam descalços
com Artaud cambaleando de haxe
a gritar sombras dos textos
que havia de vomitar pela
europa fora.
Um conjunto enorme de bêbados
poetas malditos esquizóides,
uma parafrenália de casos
clinicamente avaliados de paranóias
e demências
em procissão escandalosamente
silenciosa
pelas ruas apertadas
deste país
que nem serve para forrar
as paredes das latrinas.
Já disse que tudo foi um equívoco
e as velas apagaram-se
em todas as igrejas
porque assim como assim
é sempre preferível uma mentira
sustentada por cegos
do que um só verso
a inventar uma realidade que
contra diz a história.
Então se estabeleceu
que o espectáculo teria lugar
num portugal revestido de asfalto
com o parque automóvel renovado
e os mortos amontoados nas bermas.
Todos comemoraram o dia fértil
da puta da república
e foram contentes para casa
porque daquela vez tinha havido
mais encores do que o habitual:
Os políticos tinham providenciado
habilidosamente
o número de cravos
por cidadão.
Quanto àqueles que quiseram
improvisar
foram prudentemente
encarcerados
nas masmorras da obediência.

ângela marques, in Cursos de água, 2007


sexta-feira, 24 de abril de 2009

35x25








...porque um país sem memória é um barco à deriva.


contra o esquecimento.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

vagar



Fotos de Inês M.G. , Março 2009


"O flâneur protesta com o seu ostensivo vagar contra o processo de produção"


Walter Benjamin, A Modernidade, Assírio & Alvim, 2006





de/vagar os teus olhos pousam sobre a roupa que não estava a secar, vêem mais longe, num instante fugaz que conseguiste agarrar, nesse protesto constante contra a cidade que expulsou os poetas. o princípio da criação. antes do verbo.

não sabemos o que viste e isso pouco importa. isso não importa.

importa que vives ao arrepio do mundo que te rodeia. importa que afirmas o teu vagar, importa que vês os pobres escondidos nas esquinas e não passas distraída.

assim vais oferecendo os teus testemunhos polifónicos, como se foram panfletos, para que, quem neles tropece, possa talvez ver-se obrigado a parar e perceba que ao invés de produzir em cadeia pode criar um jardim onde só se vê betão.



segunda-feira, 20 de abril de 2009

sob a lava

foto de angela marques, de instalação de Jakub Nepras


mão sobre mão, desenhamos a caligrafia de grafite o percurso labiríntico que nos trouxe a esta casa desnorteada. descobrimos a primeira pessoa do plural, quando flectimos os olhos sobre o lençol de linho que pairava sobre o chão:
as pétalas de junquilhos adormeceram à janela e o chá de jasmim exalava um odor a bonança que apenas existia na nossa imaginação, mas a travessia para aquela ilha sem nome e sem língua fora sem regresso.
era tarde o dia, ou só fugaz como o pico da montanha que mal sustentava os nossos passos. todo o segredo que nos envolvia estava tão só na insustentabilidade de umas pálpebras de mel que recusávamos fechar, porque o sono não existia. nem o tempo. nem o frio.
escolheramos partilhar a serenidade do nosso crepúsculo e essa era uma lei que estava acima do poder dos homens, por isso o sorriso que se reflectia na água era desconhecido até dos animais.
chegada a hora de suspender o movimento da respiração, a proximidade dos nossos rostos era a tangência exacta para que o olhar se fundisse em fogo.

e depois da lava arrefecer, não ficou mácula de nenhum pecado.



sexta-feira, 17 de abril de 2009

os pontos nos iiis e ponto final

Barroco alemão, séc. XVII














Mário de Sá-Carneiro



DADA, 1920






PARA QUE CONSTE




Para todos os leitores/as deste blog e de outros meus passados, para quem me conhece dos blogs (ou não), para os leitores anónimos passageiros e para os fiéis amigos (ou não) decidi fazer uma pequena interrupção no carácter essencialmente criativo que este blog pretende ter, para fazer uma pequenina incursão pelo âmbito ensaístico/reflexivo, para tentar esclarecer uma polémica que involuntariamente despoletei, mas da qual não fujo, no blog anterior a este.
Escrevi então uma receita para escrita supostamente vanguardista, visando parodiar/criticar a facilidade com que se podem utilisar instrumentos gráficos, visuais e outros, sem que tal, no entanto, signifique que se está a criar alguma coisa inovadora, ou sequer de qualidade.
Aqui reescrevo, para quem não se lembra ou não conhece:






Receita:
Ingredientes:
pontos
vírgulas
ponto e vírgulas,
reticências
dois pontos
segmentos de recta (de tamanho variável)
um leque de vocabulário eclético
deíticos (q.b.)
referências q.b. a autores portugueses (de preferência recentemente falecidos)

modo de preparação:
mistura-se o vocabulário, bem batido, acrescentam-se os sinais de pontuação aleatoriamente, de preferência fora dos lugares gramaticalmente correctos, mete-se uns deíticos pelo meio e esparrama-se num blog, ou em qualquer outra folha, untada com muito melaço. Salpica-se com beijos coloridos e serve-se frio ou quente conforme a estação do ano.

Resultado:
_____________dedos. meus, teus. no labirinto das, horas----------
procuro-te-me,
legente do corpo. abandonado. seiva-nos o sangue menstrual na superfície dos rios
Sãos. são. rosas e morangos. _____________Senhora.de.mim. mente.desmente.demente.carente.potente……………..aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
, schiu. José de pé. Andrade ao volante dum chevrolet. Gabriela tão na moda. Sophia perdida na geografia do nome das coisas.
enfim. fim.






Pois bem. Apoderaram-se os leitores desta paródia e usaram-na para seu proveito, entendendo que eu estava a criticar “explicitamente” uma autora de um blog (embora já tenha tido mais), de seu nome Isabel Mendes Ferreira, PIANO. Em 1º lugar parece necessário chamar a atenção para que não há nenhuma referência nem ao seu nome, nem ao do blog, sendo que eu costumo referir os nomes de quem falo, seja para dizer bem, seja para dizer mal. Em 2º lugar também acho importante ressalvar que, se toda a apropriação dos textos por parte dos leitores é legítima (no fundo, é isso a leitura), já não é legítimo que usem essa apropriação de forma pública para veicularem, as suas guerrazinhas, ódiozinhos e outras coisas muito inhas. Em 3º lugar, decorrente dos anteriores, poder-se-ia dizer que eu estava também a criticar os poetas barrocos alemães, os dadaístas, Mário de Sá-Carneiro, Maria Gabriela Llansol e quantos mais, o que seria, da minha parte, imperdoável e ridículo, dada a formação que tenho (Filologia Românica). Finalmente, parece-me também importante sublinhar que, para fazer a crítica, optei por um texto “criativo” e não ensaístico, onde deveria expôr as regras para a “legitimação em literatura” (título da tese da Professora Silvina Rofrigues Lopes, que roubo), ou delinear aquilo que eu achasse ser o Cânone literário, armando-me em Miss Bloom cá da terra, pretensão que nunca tive nem irei ter, porque acho bastante questionável.

Creio ter sido, desta vez, bem clara, usado adequadamente uma linguagem denotativa e não conotativa, para que não proliferem as interpretações erróneas.
Resta-me deixar aqui um grande abraço cúmplice à minha amiga de muito tempo Isabel Mendes Ferreira, que tem a sageza de se manter à distância de minudências torpes e de não fazer juízos apressados.

Tenho dito. Subscrevo-me atenciosamente.

ângela marques






quarta-feira, 15 de abril de 2009

kronos

Foto de Sara M.G., Serralves, 2009
quando a primavera
se faz tarde
e os relógios
perdem a noção do tempo
quando as pétalas
caem ao desbarato
e o sol se aquieta
na sua ebulição

então é porque os sinos
se esqueceram
das albas
e as bibliotecas arderam
durante a noite.

apenas um velho
espalha teimosamente
pedaços de pão
na praça vazia
à espera de pombas
que não virão.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

uma espécie de solidão

Foto de a.m., Granja, 2006

de vez em quando
há uma solidão certeira
que me ataca pelas costas.

saída de um romance russo,
escura,
de contornos indefinidos,
e muito pesada.

não é a morte que receio.
é esta impossibilidade
de estender a mão
e sentir algum calor.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

os livros de uma vida

Foto de Marie



transformou a sua vida numa pauta atonal. fechou portas e janelas e deixou morrer as plantas antes viçosas de libido. a luz que passava estreita nas frinchas das paredes levantava o pó pelas cortinas de brocado e o resultado era uma imensa tela esfaqueada que lhe cegava os olhos durante o dia.
à noite todos os gatos eram pardos e por isso os candeeiros iluminavam apenas os passos que dava, quando os dava, ou o cigarro amadurecido no canto da boca.
de longe a longe, pegava cuidadosamente no braço do gira-discos, e bebia um gole de cognac, enquanto a música se espalhava, cansada, pelos cantos da casa. o frenesim só palpitava nos livros desleixadamente amontoados pelo chão e pela mesa, misturados com cadernos rabiscados de anotações minuciosas sobre cada autor que relia com este novo olhar de velha muito velha. o tempo era inexorável e toda a rapidez era pouca para conseguir transformar uma vida de leitora diletante numa figura durasiana. não havia ninguém para lhe perguntar qual o propósito desta tarefa tão ridiculamente prometeica, mas se houvesse creio que não teria resposta, ou então seria convidado a sentar-se, em silêncio total, no sofá coçado que estava sempre na penumbra.
no bairro corria o boato de que ela enlouquecera definitivamente e pouco se preocupavam em verificar se os poucos movimentos mais ou menos quotidianos marcavam o ponto à hora certa.
foi assim que o padeiro, ao fim de uma semana, estranhou a constante sobra de pão e depois de muito pensar se lembrou de ir bater à porta da D. Virgínia.
efectuados todos os procedimentos habituais nestas circunstâncias não se conseguiu apurar a causa de morte e rapidamente foi esquecida porque não se lhe conheciam relações pessoais.
apenas eu sei que a D. Virgínia desistiu, simplesmente, de respirar, porque os seus olhos a traíram, ainda longe do fim da tarefa de releitura dos livros da sua vida.





domingo, 5 de abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Professor Agostinho da Silva


Agostinho da Silva, 1906 - 1994


Não sou filósofa, mas apenas curiosa da Filosofia e como tal não podia deixar de prestar aqui a minha homenagem, nos 15 anos da sua morte, ao maior Pensador Português do século XX, também poeta no modo de viver.
E será intimista e pessoalíssima, esta homenagem, própria de quem gosta de preservar o rigor e a qualidade no que se faz.
Então (acho que estou ouvindo o Professor e copiando a sua fala) vou apenas contar da minha memória deste velho sábio, assim ao sabor da pena (que são teclas).
Lembro a voz na perfeição. E o cheiro. É. O cheiro. Todos os velhos têm cheiro, mas o Prof. Agostinho da Silva tinha um peculiar: algum mofo misturado com mijo de gato e pó de muitos livros. Já foi em 1988 que eu conheci esse cheiro, mas ainda o sinto.
Era então Ministro da Educação o Eng. Roberto Carneiro que teve a iniciativa de criar uma Comissão para a Promoção dos Direitos Humanos e Igualdade na Educação, cuja Presidente era a Drª Zita Magalhães, ex-Directora Regional da Educação do Norte e de que eu era um ilustre membro desconhecido (mas com muita honra). Tivémos então a ideia algo irreverente de convidar o Prof. Agostinho da Silva para proferir uma Conferência sobre o tema, na tomada de posse da dita Comissão, que se realizou na sede do Instituto de Defesa Nacional (quem conhece as Instituições percebe a questão da irreverência).
E assim fui ao Príncipe Real buscar o orador, que veio mesmo de pantufas e com o seu casaco um pouco puído, falando do gato, do Espírito Santo e do trânsito de Lisboa.
Depois dos discursos do Sr. Ministro, Da Presidente da Comissão e do prof. Jorge Miranda (que naquele tempo não andava nas bocas do mundo) tomou a palavra o homenageado. Muito pouca gente terá percebido, mas durante hora e meia o Professor Agostinho da Silva fez a mais completa desconstrução de tudo quanto pudessem ser "Comissões" governamentais para resolver este e qualquer outro tipo de problemas, assim como ele se assumiu ali, na margem, de toda a pompa e circunstância.
Como, ao fim da primeira página deixou de ler o texto que preparara, fui eu quem fez a transcrição do discurso, para publicação.
Aqui fica o início:
O primeiro direito do Homem é ser aquilo que é sem que as circunstâncias o levem a ser na maior parte das vezes aquilo que nunca pensou depois de ter nascido. Mas ao mesmo tempo que isto parece ser um direito primeiro, o direito mais elementar do homem, me parece que é simultaneamente o seu primeiro dever. E então estamos numa posição curiosa: a de concentrar num feito aquilo que muitas vezes nos aparece como oposto, o que nos leva, talvez, a pensar se muitas vezes nós nos embaraçamos com opiniões ortodoxas ou com opiniões heterodoxas, sem ver que talvez a grande coisa foi a de as juntar nalguma coisa tão estranha que, por ser tão estranha, toda a gente denomina de paradoxal.


in Educação e Direitos Humanos, Ministério da Educação, Dezembro de 1988

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ângela Maria 1957 "Mentindo"

Nota: Escusam de me dar os parabéns, porque não é hoje que faço 52.

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