quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

JanelaLivro 6


Não sei bem se são palavras que me faltam ou o brilho nos olhos de tempos antigos. Talvez não passe por aqui a rota do chá e o fio de ariadne se tenha transformado em feixes hertzianos, em direcção a uma outra galáxia, mas o certo é que o despojamento de uma djellaba condiz melhor com o silêncio do novo império de sentidos simbólicos.

A rosa de Jericó instalou-se na folha, acastanhou as paredes do Livro sagrado e o vento rasgou as cortinas da Janela. Não se vislumbra o rasto de uma peripécia porque a doxa domina a cidade. Por isso o tempo escasseia para ficar na soleira da porta a conversar.

Muito depois de amanhã, quando só formos memórias esbatidas, alguma gota de água dará lugar a um mar. De azul (talvez).




5 comentários:

Ana Paula Sena disse...

Muito bonito este teu texto, Ângela.

Ao alto, a maravilhosa promessa de muitos livros...

Um beijinho e um Bom 2011 (a ser possível)!

Luís Campião disse...

Lindo o teu blogue!
Aqui tens um «fã».
Bom Ano, muito sucesso e felicidade.
Bj

Janaina Cruz disse...

Angela, teu poema parece tela pintada de bom gosto e de doçura.

Quando não há brilho em nossos olhos, é porque ele está clareando por dentro, e logo, logo a gota vira mar, de um azul sim! De um azul inesquecível...

Ótimo fim de semana.

Abraços

Wilson Torres Nanini disse...

Realmente, ninguém nasce querendo ser fóssil. E a beleza de seu texto, a poesia entrelinhar apontam uma fórmula de duração suave e digna da criação com que fomos benzidos.

Abraços!

ângela f. marques disse...

Queria dizer a todos o meu muito obrigada por destecerem assim os fios que aqui vou tecendo...


Sem leitores, as palavras morrem.

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