quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

(de) passagem


entre Orfeu e o quotidiano
há apenas uma nesga de rio
desenhado a nanquim. gaivotas
perdidas na cidade de granito,
gente travestida de felicidade
urbano depressiva, panfletos
rasgados de uma greve falida.
e há funâmbulos que atravessam
a fome, guitarras sufocadas de
nevoeiro, pontes entulhadas por
suicidas apressados.



entre Orfeu e o quotidiano
eu escolho uma ceia solitária
e brindo à literatura crucificada.
uma só taça sobre a mesa.

3 comentários:

Janaina Cruz disse...

cismo que a vida poderia mudar de rumo entre o Orfeu e o quotidiano, mas para que isso acontecesse era precisa saber domar desejos e destinos, ou apenas contar com a sorte, amei a tua babel, passo a segui-lo com prazer.

Feliz ano novo :)

maria manuel disse...

sim, andam perdidas as gaivotas, perdidas em terra à beira-mar. ironias ruins dos tempos.

mas deixe que a acompanhe nessa ceia, que erga uma taça de votos de um Bom 2011. com um abraço.

Ana Oliveira disse...

A minha taça solitária erguer-se-á também por si, esta noite, a desejar-lhe um bom Ano e em agradecimento pelo que de bom acrescentou ao meu ano que finda com as suas palavras.

Um beijo

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