domingo, 23 de agosto de 2009

o sino da minha aldeia



há palavras abortadas

que guardo na gaveta

da escrivaninha que nunca tive.


há imagens apenas sonhadas

que resguardo do vento

de leste.


há cheiros que me aquecem

nas noites de inverno.


há frutos maduros

que me sabem a ti.


há tecidos que toco

com os olhos fechados.


e há sinos de aldeia

na minha cidade.


o texto que fica

é o corpo da alma nossa.

7 comentários:

simplesmenteeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Carlos Brandão disse...

Lindo poema. Doce como as uvas, como o sino da minha aldeia. Um tom de Fernando Pessoa, talvez mais por ser um tom bem português, de uma suave nostalgia.

Beijos.

Anónimo disse...

é o texto que fica. sim. sempre. o texto inscrito nas dobras de uma pele e de uma alma que não se dobra!



P.s.

vivam as miudas do norte.
Insurrectas e plenas.

.


anónimo doce.

maria josé quintela disse...

também guardo sinos na minha memória. assim como estes. de sabor melancólico.




um beijo ângela.

Anónimo disse...

mas eu posso. passar. como se fosse uma passa de uva. e dizer bom dia.


:)



beijo.

pamita star disse...

Gosto muito de ver aquele sorriso ali em cima...espero que nunca se desfaça....por motivo algum....
Abraço

gabriela rocha martins disse...

há sinos que só as nossas "aldeias" sabem ouvir ... em memórias!



.
um beijo

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