sexta-feira, 12 de março de 2010

magma textual



há palavras que me são magma: textos teus que não devia ler, mas continuo visitando, sem conseguir aferrolhar uma porta que foi fechada faz tempo. e queimam. e guardo palavras que ficam por dizer, abortadas na minha alma crepuscular. afogadas em lágrimas que ficaram rio abaixo em direcção a um mar que se diz salgado delas, mas foi espelho de silêncios partilhados.
agora que tudo resvala diante dos nossos olhos estuporados, agora que o efémero tomou conta do quotidiano mais distraído, agora que conheço as dobras mais recônditas das mortes, inesperadas ou não, quisera também matar-te na minha memória. e não consigo.
por mais que não regue os vasos, por mais que arranque as raízes, por mais que engula veneno a força deste quisto avança em forma de metástase resistente à quimioterapia hipertextual e adormece comigo, no horizonte montanhoso agrafado aos meus olhos.
consultei dicionários e não existe vocábulo que designe tal persistência do gesto: resta portanto estender-me sobre o fogo e aguardar que a terra vomite lava sobre a face dos meus pronomes.

4 comentários:

maria manuel disse...

bela escrita para um texto doloroso, há cicatrizes que não sanam.

beijo, Ângela.

Susn F. disse...

Gosto tanto quando escreve assim e me deixa sem palavras para dizer o que quer que seja.

beijinhos

ângela f. marques disse...

Oh Susn! eu é que fico sem palavras com comentários assim...

OBRIGADA.

beijinhos

Letícia Ziebell disse...

Adorei este texto! Fiquei com a respiração presa :)
Parabéns.

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