sábado, 10 de abril de 2010

poema tardio

Julia Margaret Cameron



(para o pai das minhas filhas)

não importa que não seja
tempo de diospiros
não importa que os meus dedos
estejam roxos de sangue
não importa que a minha
aldeia tenha um sino abandonado
ou que o sorriso me tenha
caído por entre os socalcos de vinhedo
não importa que os figos estejam podres...

o que importa, o que verdadeiramente
importa é que as nossas filhas
adormeçam no teu colo.

6 comentários:

Susn F. disse...

É. É isso que importa. É toda a ternura que se pode dar. É toda a emoção que se pode transmitir, mesmo num poema tardio.

beijinhos ângela

José Carlos Brandão disse...

O amor de pai e mãe ultrapassa todas as barreiras. Ângela, de vez em quando passo por aqui - lugar bonito.
Um beijo.

Luís Campião disse...

lindo.
grande abraço Angela!

João Martins disse...

No fim pouco importa, importam as pessoas que realmente amamos...
É tudo por elas!
Obrigado pelo comentário, apesar do cansaço. Interessam-me todos os tipos de escrita desde que sejam genuínos. A Ângela é-o...
Bom descanso e até breve

pin gente disse...

ternamente belo

gostei muito!

Letícia Ziebell disse...

Gostei :)

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