sábado, 24 de outubro de 2009

Não

Já não espero absolutamente nada. Nem a luz a anunciar o dia, nem os livros que não li, nem as flores a romperem da terra. Fechei portas e janelas, calafetei a alma, desci aos infernos: aconcheguei-me nas chamas da memória recente e fiquei a olhar todos os equívocos que se atropelam nas cidades.
Afinal é dos olhos que vivo e tenho que aproveitá-los enquanto distinguem as sombras das árvores. A noite aproxima-se e as minhas mãos ficaram irrecuperavelmente feridas até à raíz dos cabelos.
Não. Não quero lambê-las. Não vou lambê-las.




4 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Lindo, Ângela. Aquela sensação que eu não queria, juro que eu não queria.
Os olhos na solidão da noite são virgens, e sangram no parto do real.
As minhas mãos estão quebradas, de tanto susto, tanto espanto.
Beijo, Ângela.

isabel mendes ferreira disse...

SIM.




porque de coragem e pedras se faz o dia. ou pelo menos deveria ser.

Sim pelo Texto. Inteiro.



SIM!

Graça disse...

Gostei imenso deste texto, principalmente da expressão "calafetei a alma...". Lindo.

Beijo, Ângela

gabriela rocha martins disse...

ao re ENCONTRO das palavras belas......



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um beijo

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