quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ferida(s)

Frida Khalo
a fractura exposta do
poema gangrenou-me
a mão e o que restava
de inocência
despenhou-se pela encosta
desta terra tão atávica
quanto florescente.
há dias em que fumo
para esquecer
e outros em que leio
para celebrar.
no entanto são sempre
os coágulos de sangue
as metástases do frio
que me entorpecem o caminho
na tentativa de derrubar
a lareira que nós acendemos.
a diferença é que agora já não
esperamos o verso dos deuses
apenas talhamos afincadamente
sílaba a sílaba
o gesto suave dos olhos
em direcção ao outro lado
do espelho.

5 comentários:

Leonardo B. disse...

Por minha grande falta de jeito, mas com o desejo de também partilhar o espírito desta quadra, partilho de Vitorino Nemésio, um outro Natal,

«Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.»

Com um sincero desejo de uma quadra plena,
Um imenso abraço,

Leonardo B.

Nilson Barcelli disse...

Excelente poema, gostei imenso.
És poetisa e eu gosto do que escreves.
Querida amiga Ângela, desejo-te um Natal muito feliz, na companhia dos que mais amas.
Beijos.

ângela f. marques disse...

Muito obrigada, Leonardo e Nilson.
Pelas palavras, pela presença.

Um bom natal e beijos

Anónimo disse...

muito bom!



.
muito.





imf

ângela f. marques disse...

quando assim dizes...

sou levada a acreditar. obrigada.

(com muito tempo de madurez)

visitantes da babel