segunda-feira, 27 de abril de 2009

quem eu releio sempre

Agustina Bessa-Luís

Já antes do 25 de Abril, com Portugal isolado do resto do mundo, pesado pela sua incapacidade governativa que se exprimia pela acomodação a um falso destino, não havia nenhuma solenidade nos acontecimentos, nos chefes, na nação inteira. Tudo se produzia como se as pessoas não soubessem desesperar. Agora continuava esse mesmo estado de espírito, tão próprio dos portugueses e que tão bons e tão maus frutos dá.






Agustina Bessa -Luís, Crónica do Cruzado do OSB, Guimarães Ed., 1976




9 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

eu sou mais pascoalina....

mas tens razão...a arte de pensar e dizer e escrever.


um beijo....Re.leitora escrevente.

ângela marques disse...

ambos perto do Marão

ambos aforísticos

um poeta, outra contadora de histórias

um imagino-o doce no olhar, a ela vi-a perversa, irreverente

dois nomes grandes da nossa literatura.

:) beijo

isabel mendes ferreira disse...

olha...e não é que concordo em absoluto?

ke koisa....


:)))
toda a razão. mas toda a razão!

ângela marques disse...

copiona....


ke koisa:)))))))))))))

gabriela rocha martins disse...

posso meter.me ao barulho?
só para estabelecer um pouco mais de confusão ....
é que o teu/vosso/nosso Pascoal que tive a felicidade de "conhecer" no solar de família ,de senti.lo no quarto de dormir ,de encontrá.lo no escritório virado ao Marão onde ,também escrevia ,não tinha essa doçura que imaginas no olhar ,Ângela ,antes uma perspicácia ,uma agudeza que fitava tudo e todos para lá e além de...deambulava em silêncios ,mas adorava o marulhar de um fontanário que tinha junto às janelas ,onde também eu me detinha ,tentando senti.lo em cada movimento....

..... e ,minha querida ,ainda não consegui ,como tu ,fazer as pazes com a Agustina.... talvez amanhã!

..... aliás esta conversa dava uma discussão ( na boa acepção da palavra ) e pêras .... convivermos ,conhecermos a intimidade de alguns escritores e poetas dá pano para mangas ,minha amiga!!!!

por isso ,fico.me por aqui


.
um beijo

ângela marques disse...

podes e deves:)

eu sei que o nosso Pascoal era bem arrevesado, pelo que ouvi e li, mas no entanto bem diferente da irreverência da Agustina.
essa discussão que sugeres, adoraria tê-la. fui, digamos, "militantemente estruturalista" e portanto avessa às pessoas que estão por trás dos escritos. mas passou-me, claro. agora mantenho uma visão muito clara: não confundo o cu com as calças. Avalio a obra/textos pelo que são. e só.
Quanto à Agustina, apenas conversei com ela uma vez e foi já de pois da trilogia do "princ´pio da Incerteza", portanto não influenciou em nada a minha admiração pela obra.
Bora lá discutir quando quiseres.

isabel mendes ferreira disse...

:))))

que giro.

pois bem Pascoaes foi e será sempre um dos melhores filósofos da língua lusa e não só. Primordial. Para ler à luz do Pinharanda Gomes, Renato Epifânio, Paulo Borges, Fernando Pessoa, José Marinho, Agostinho da Silva, e alguns mais.

e saio.


tá um dia entristecedor....vou ficar com Pinharanda Gomes...que amo.

gabriela rocha martins disse...

alimentarei contigo esta conversa e outras ,lá para o mês de Novembro ( ainda não certo ),quando me deslocar ao Porto ... por ora digo apenas isto .depois acrescento pormenores

é evidente que há uma enorme diferença entre estes dois génios - em termos de obras ( muito embora ainda não tenha conseguido atingir esse estado de perfeição a que tu chegaste - sem ironia ,juro! - de modo a diferenciar o autor da obra ... foram anos e anos a conviver com muitos o que não me permite fazer essa destrinça ) - ou não fossem eles dois índivíduos singulares.
mas ,Pascoal detém uma interioridade olhada para dentro ,enquanto Agustina a projecta para fora .são dois olhares o mundo e estar no mundo completamente diferentes .dois díspares pontos de partida,jamais comparáveis .... e ,como te dizia no outro post ,prometo que considerarei o caso da Agustina .prometo ,mas ,por ora ,não mais

.
.
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e tu ,minha linda Isa ,Pinharanda num dia entristecedor? - depois ,admiras.te das "macacas" que te dão.......

.
abreijos ( distribuam ,à vontade ,por ambas )

ângela marques disse...

não podia estar mais de acordo quanto à impossibilidade de comparação: seria como comparar um vinho do Douro com um do Alentejo, por ex...

novembro é já ali...:)

beijo

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