quarta-feira, 3 de junho de 2009

3 de Junho de 1920


o tempo ainda não teve tempo de transformar a tua ausência, Mãe, em presença tranquila. e o meu coração acelera, o sorriso voa subitamente para outro lugar, as palavras afogam-se, enterram-se, estilhaçam-me a alma como um punhado de alfinetes. tenho frio nos olhos. caminho longamente pela tua vida à procura de um alinhavo que porventura tenha ficado em alguma bainha dos casacos com que me agasalhaste. seja qual fôr a estação em que pare, é sempre o teu sorriso que me acolhe: a força de mulher, o milagre de mãe, a ternura de filha. e o amor de avó. como são indeléveis as marcas que deixaste nestas flores que me acompanham!
assim cumpriste a tua vida, o teu desígnio. sem nada falhares. mas quem, de nós, não queria ainda a tua dádiva? a sara procura-te em cada esquina ou loja de costa cabral, a inês sonha modelos que tu poderias ensinar-lhe a cortar. e eu... bastava-me ouvir-te dizer “estava mesmo a pensar em ti”...

PARABÉNS, MINHA MÃE! (porque não pela 89ª vez?)

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