quarta-feira, 8 de julho de 2009

missa breve



as escaras podem cobrir-me o corpo
o sangue sair em golfadas pela boca
as lâminas cortarem-me os pés descalços
que eu continuarei
paulatinamente o caminho
carregando palavras como se
foram pedras, em silêncio,
num fraseado de gestos seculares
coreografando a vida, com
velas e incenso,
com ramos de oliveira
e uvas tintas
no altar de catedrais góticas
ou de dólmenes graníticos
porque todos me servem
de palco a uma missa crioula
seja lá para que deus fôr.
a minha religião são os esqueletos
putrefactos, feitos de lágrimas
insolventes na memória
e não tenho arrependimento
no horizonte porque a culpa
não me maculou o parto.


atirado o punhado de terra
sobre o esquife, continuo
descalça o meu caminho
solitário.

3 comentários:

gabriela rocha martins disse...

não sei ( não posso ) não quero comentar


esse estúpido acidente

mas reservo.te
( pela destreza do poema )


.
um beijo

maria josé quintela disse...

breve também o caminho...




o meu beijo ângela.

Anónimo disse...

e por um punhado de esperança nos dias que hão de surgir aqui me tens.

em clara e aberta amizade.~


a beber das tuas palavras em "missa" de luz e de saber.


bom dia/tarde A.


e saio.

mas volto. volto sempre!



imf-piano.

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