domingo, 12 de julho de 2009

mitos que os fios tecem...




















com o aparo


cavo a terra


teço a linha


e bordo o texto


"As mulheres eram igualmente notáveis na perfeição dos trabalhos que confeccionavam. Teciam entretecendo fios nos belos tecidos que fazem representar formas tão vivas que toda a gente ficava a conhecer perfeitamente todos os enredos que queriam ilustrar. Foi assim que Filomela se voltou também para o tear. Tinha um motivo muito especial para dar a conhecer com clareza a sua história. Com um padecimento infinito e uma habilidade inexcedível conseguiu fazer uma tapeçaria maravilhosa, onde expusera o relato completo dos seus males. Uma vez terminada a obra, entregou-a à velhota que a servia, dando-lhe a entender que se destinava à rainha.


Orgulhosa por ser portadora de tão bela dádiva, levou-a a Procne, que, nessa altura, ainda usava luto pela irmã, luto esse que igualmente lhe invadia a alma por completo. Desenrolou a teia e lá encontrou Filomela e Tereu, também inconfundíveis. Horrorizada interpretou a cena - para ela o desenho da tapeçaria era tão inteligível como a letra o é para nós."


Mito de Filomela

Filomela e Procne


Nota: A pintura é "A rendilheira" de Vermeer, 1664





14 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

:)

como vermeer espalhas a luz e a melancolia numa "renda" de destino "bordado a pérolas com fogo nos ouvidos"....:)

metáfora exigente do fio do teu punho elegante e elegíaco.

a.rendilho-me como os campos à chuva e aos sol.


beijo A. tecendo e destecendo a escrita sobre a pintura.

"uinnnnnnnnnnnnndo"....:)

maria josé quintela disse...

não podia ser melhor dedicado. a uma tecedeira de palavras de seda e cetim.


muito belo e significante o teu post.



um beijo ângela.

bettips disse...

Como as artes se tocam em vôo, uma belíssima imagem do "voar".
De mãos, de ideias.

(A família em riso perene e a missa breve, comoveram-me)
Bjinhos

José Carlos Brandão disse...

Teço a teia
fio a fio
enredo-me
na maranha
da cruel aranha
do tempo
que me destece
fio a fio
enquanto
me emaranha
mais e mais...

Beijo.

Ah, tão sugestivo teu texto. Fiquei sem o que dizer, emaranhado...

Anónimo disse...

padecimento

José da Silva Martins disse...

Uma bela homenagem a uma grande Senhora.

Bem haja.

Susn F. disse...

Artes que se tecem e se entrelaçam.

Gostei muito.

beijinhos

Maresias disse...

Uma Tecedeira de Palavras

uma obra que é arte em ponto com ponto

o seu

o dela.

Merecem-se.

Posso apontar o fio no fuso do meu tear?

Abraço(vos)

Maresias

alice disse...

gostei especialmente das imagens do nosso inconfundível douro :) mas também das outras imagens e das tuas palavras, claro. o mais bonito de tudo é sem dúvida a dedicatória. um beijo, ângela.

Sara L. Miranda disse...

Muito bonito este post e blogue. Beijos

Maresias disse...

E que bem tece, Ângela

apetece-me "beijar nos teus dedos a renda da ternura." Palavras da homenageada (1991) que eu uso, não como fossem minhas. Uso-as porque as conheço e porque não encontrei palavras mais apropriadas para dizer belo, lindo, obrigada e tanto mais que fica guardado para depois.

Beijo

Maresias

Isabel disse...

mentira....Tu dizes/escreves de um modo que se torna desvendável até de ouvidos surdos e olhos cheios de cegueira.


obrigada Angela.

O Profeta disse...

Magnifico...!

gabriela rocha martins disse...

há uma cumplicidade que se pressente além das "teceduras do texto" e que se expõe

numa escrita invulgar

inteligente metáfora
inteligente complemento directo
inteligente ( e linda ) homenagem

justa

posição

de

poetas

mui

singulares


( retiro.me em silêncio, depois de ter gritado ,várias vezes ,BRAVO! )



.
um beijo ,miúda(s)

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