domingo, 6 de dezembro de 2009

ressaca


Fotografia de Julia Margaret Cameron, 1867

1.
cada dia que passa
retiro uma palavra
do meu léxico
ideal.
2.
o que eu escrevo
serve apenas
para fingir
que há um mundo
à minha volta.

3.
snifo as palavras
com a cegueira de
quem apenas
sobrevive.


4.
por muitos aditivos
que me sustenham
nenhum tem o poder
de me reduzir
a um bilhete de comboio
que rasgaste numa estação
do Oriente.


4 comentários:

Penso logo existo disse...

Excelente poema, muitos parabens

Isabel disse...

sirvo-me do comentador acima. subscrevo, e acrescento: o mundo é.te circular mas em triangulos, rectos, muito rectos.


metaforicamnete falando....

(bani os acentos)....:)

E a musica em fundo fala....GRITA!

isabel mendes ferreira disse...

o oriente é sempre longe mesmo quando perto.....



beijo A.

Bom dia A.

:)

Pethula Emmanuelle de Castilho disse...

Conheci seu blog por acaso e me cativei com este poema .. gosto tbm de escrever, mas aprecio muito mais a leitura ... Parabéns

visitantes da babel