segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

optimismo empacotado


Foto de Tiago Pereira


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É assim tão inevitável

Falar do tempo e da morte

E da loiça para o jantar?

E dos copos que combinam

com a baixela de Sèvres

e dos serões da Pompadour?

É assim tão fundamental

Expôr a última edição da Bíblia

Lado a lado com um Saramago

Em caixa prateada, afinal

Maldito falhado?

Os postalinhos de última hora

As prendinhas topo de gama

As toilettes brilhantíssimas

O verniz das unhas e do gesto

O bâton que vai ficar

No colarinho dos amantes.

Sem esquecer o Moët & Chandon

E os chapelinhos do Mickey...

Tão felizes que nós somos

Tantos amigos que temos

Tanta dança inebriante

Tanto optimismo empacotado!

Ah... e um depósito numa ONG

Para sossegarmos a consciência.

Coitados dos que dormem na rua

Nós temos imensa pena...




5 comentários:

Isabel disse...

F E N O M E N A L!!!!!!

Isabel disse...

E EU TENHO iMENSA PENA DA "CANIBALIZAÇÃO"DOs FALSOS AFECTOS!

das intenções que subjazem....da falta de verticalidade, do uso e abuso do esquecimento colectivo daquela memória que nos foi útero. comum. e de onde não soubemos ressalvar a generosidade!

brilhante este teu não cinismo!


beijo.

Graça disse...

Inevitável é ler-te...

Bom ano, Ângela.

Um beijo.

ângela marques disse...

Muito obrigada, Graça!

Um Bom Ano também para ti.

um beijo

José Carlos Mendes Brandão disse...

Que bom!
Que retrato da nossa hipocrisia!

Um bom ano, Ângela.

Beijo.

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