sexta-feira, 8 de outubro de 2010

baixa costura

Birul Sinari-Adi


Vergonhosamente
Esqueci-me de alinhavar
O poema em cima do manequim
Por isso deixei uma metáfora
Completamente enviesada
Descaída sobre o peito
As anáforas descasadas
Umas das outras
Já não o eram
E a bainha da hipálage
Ficou uns centímetros abaixo
Do joelho.




Vou portanto descoser tudo
Deixar os alfinetes em cima da mesa
E atirar-me da janela.
Amanhã vem uma costureira nova.




4 comentários:

Leonardo B. disse...

[o ponto, o nó, a palavra que não se desfaz... refaz-se dentro dos olhos que também somos nós, deste lado]

um imenso abraço, ângela

Leonardo B.

maria josé quintela disse...

não te atires Ângela. esse modelo deve ter ficado bem interessante.


e a baixa costura está na moda.

:)


beijo.

ângela f. marques disse...

quando precisares que te desça uma bainha, é só dizeres...:) fica uma perfeição, modéstia à parte! melhor que qualquer diálogo deslavado:)))

José Marinho disse...

Óptimo poema, desconcertante possuindo uma escrita orgânica que corre como a água de um rio límpido, ainda possível.

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