sexta-feira, 27 de novembro de 2009

uma espécie de rosa

Fotografia de Imogen Cunningham, 1909

(para a Isabel Mendes Ferreira,
amiga de sempre)

por mais velas que acendas

não é com fósforos que vais

desenhar abraços

nem com réguas e compassos

que me acendes o coração.

foram longos os percursos

desde o ciclo do cavalo

debruado pela constância

da relação de mim contigo

e já não resta uma só sílaba

das palavras que me dizias.

o tempo foi-me subida

penosa até ao cimo de

um penhasco rugoso

no entanto mestre de ofício

lento e minucioso:

aprendi a oferecer rosas

quando a alma definhava de dor

aprendi a escrever poemas

com a fé dos peregrinos

aprendi os cânticos e o êxtase

próprios do amor.

por isso aprecio a maneira

delicada de quem escreve

com o corpo e dança com a

alma.




8 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

sim. é um belo texto. e para leitores desprevenidos que conste:


este "tu" não me é morada.
:))))


brilhante compasso Angela.

Maresias disse...

nesta vela acesa


a luz está na ponta de um pavio

que, de sílaba a sílaba, alimenta o fogo.


É de amor que falamos.

Por isso, também eu, aprecio a entrada,

o ínicio e o fim do prelúdio de uma peça mayor.

A I.


Beijo na alma.


Até breve Ângela.

José Carlos Brandão disse...

Lindo, Ângela.

Um beijo.

Graça disse...

Tão belo, Ângela! Porque a Isabel é assim... nem sei dizer...


Beijo imenso de carinho.

alice disse...

bonitas palavras para quem mais merece.

gabriela rocha martins disse...

um belíssimo diálogo a uma só voz

excelentes ( as duas )



.
um beijo

Penso logo existo disse...

Excelente poema, num belissimo blog, é a primeira vez que por aqui passo, mas adorei

Muitos parabens

Ianê Mello disse...

Lindo blog. Belíssimos poemas!

Quanto lirismo e força em suas palavras!

Te sigo, também aqui.

Um beijo e faço um convite para que conheças meus labirintos.

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